Eu lembro-me do dia. Lembro-me como se tivesse sido ontem, ainda que já se tenham passado quase quinze anos. Tu eras para ser o meu presente de Natal, mas antecipaste-te. Não podias esperar. Nem eu.

Eu entrei na casa da amiga da minha mãe e comecei a assobiar e uma minúscula bola de pêlo veio a correr na minha direcção e foi então que nos conhecemos. Nunca mais deixaste de seguir o meu assobio. Tornámo-nos logo os melhores amigos. Eu treinei-te, brinquei contigo, sorri contigo, chorei contigo. Eras o melhor dos melhores amigos. Calmo, mas brincalhão. Obediente e esperto. Com o decorrer do tempo – nos nossos passeios – passaste a conseguir soltar-te da trela e começaste a passear sem mim. Mudaste. Eu comecei a estudar na faculdade e a trabalhar. Mudei. Tu tornaste-te inseguro, receoso e um pouco agressivo, especialmente em relação a outros cães, mas nunca deixaste de ser leal. Eu comecei a estar demasiado ocupada e a ter menos tempo para ti, tornei-me impaciente contigo, mas nunca deixei de te amar. Olhando para trás, vejo que cometi alguns erros como tua dona, mas espero ter aprendido tudo o que me quiseste ensinar de forma a poder ser melhor. Tu tornaste-me melhor.

Nos altos e baixos estiveste sempre ao meu lado. Mesmo quando me casei e me mudei para outra casa e tu ficaste a viver com a minha mãe. Agora vives apenas em mim, no meu coração. Serás sempre parte de mim. Hoje foi a tua vez de me deixares e, como desde o início, antecipaste-te; mas não faz mal, porque eu sempre fui tua e tu serás sempre meu.

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