Finalmente posso respirar. Sinto que o meu corpo pesa o dobro desde que a adrenalina o abandonou. É como se tivesse feito toda uma viagem sustendo a respiração e ao ouvir as palavras certas tivesse expirado novamente. Que alívio!

Desde que o Himalaias chegou ao nosso lar, que tem sido uma adaptação não só para os donos, mas também e sobretudo para ele. Nova casa, nova cama (ou devo dizer novas camas), novas regras, nova alimentação, tudo mudou para ele. Fez ontem (06/02/17) um mês desde que ele se juntou à nossa família (yay!) e se está a adaptar a esta nova vida o que é normal. O seu maior desafio tem sido a nova dieta, penso, eu já tinha reparado que ele sentia dificuldade em defecar e que por vezes as fezes vinham líquidas. O Flecha passou pelo mesmo e demorou algum tempo a passar, cerca de 1 ou 2 meses. Por esse motivo estava descansada.

Há alguns dias atrás começo a reparar que o Himalaias estava com uma respiração ligeriamente ofegante e que bebia bastante água e por esse motivo urinava imenso. Comecei então a preocupar-me. Deixei passar 1 ou 2 dias, mas como os sintomas se mantinham, decidi ligar para a saúde animal 24, onde me indicaram que me devia dirigir ao veterinário mais próximo com ele. Agora era a minha respiração que começava a ficar ligeiramente ofegante. Falei com o meu marido e decidimos que o iríamos levar ao veterinário. Nessa noite quando estava já entre os meus lençóis e os meus olhos pesavam com sono, fitei o Himalaias deitado na sua cama ao lado da nossa, tranquilo. Parecia que o meu coração estava ao meu lado, fora do meu corpo. A preocupação impedia-me de adormecer profundamente e de descansar realmente, mas a noite passou e veio o dia. Fui trabalhar e as horas pareciam arrastar-se provocadoramente. Tudo parecia conspirar contra o meu objectivo de levar o Himalaias o mais depressa possível ao veterinário e saber o que se passava com ele. Simultaneamente havia um sentimento antagónico que ansiava por adiar as notícias por receio de que não fossem animadoras.

Finalmente o momento chegara e levei os irmãos num passeio que tinha como destino o veterinário. Depois de uma longa caminhada, que incluiu a primeira viagem de comboio de ambos, chegámos. Entrámos no consultório e eu expliquei todos os sintomas ao médico que de imediato sugeriu que fosse feito um raio-x. O Flecha ficou a aguardar no consultório enquanto eu e o Himalaias fomos para a sala de raio-x. O Himalaias dócil como sempre deixou-se examinar e portou-se como um senhor. No entanto, o Flecha na divisão ao lado gania e chorava devido à nossa ausência.

Terminado o raio-x o médico informou-me de que o intestino do Himalaias estava bastante inflamado e que isso podia ter sido causado pela alimentação desadequada que tinha levado até ao momento em que foi recolhido e que a adaptação a uma nova alimentação também pode contribuir para uma maior sensibilidade. Para além disso estava tudo bem com ele e foi-lhe receitado apenas um medicamento para ajudar a solidificar as fezes. Ufa!

Já estávamos contentes, mas quando estávamos no consultório encontrámos duas amigas do Himalaias que também se preocupavam muito com ele quando ele estava na rua e que ficaram felicíssimas em saber que ele já tinha a sua própria família.

Foi um dia cheio, mas que teve surpresas muito boas contra todas as probabilidades. Esta noite dormimos bem, profundamente e felizes.

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