“- Porque é que todas as minhas aventuras contigo envolvem dar banho a algum animal?”

Hoje convidei a minha melhor amiga – Madalena – para vir jantar comigo e ela aceitou. Onde moro existe uma baía lindíssima adornada de uma marginal histórica que complementa essa beleza natural. Decidi que, tendo em conta que teria de levar o Flecha a passear, iríamos nós as duas emergir naquela paisagem propiciando assim uma caminhada diferente a todos nós. Saímos em direcção à baía, mas nunca lá chegámos.

Várias horas depois de puxões, empurrões, biscoitos oferecidos e aceites e inúmeras mordidelas fingidas e sem qualquer consequência, encontravamo-nos agora debruçadas sobre a minha banheira. De um lado a Madalena com a trela nas mãos, do outro eu com o chuveiro numa mão e o champô noutra a esfregar uma bola de pêlo cinzenta, assustada, mas gentil. Depois de muito esfregarmos, surge de dentro de uma toalha enrolada um focinho branco pintalgado de preto perto do nariz meio rosado. Uns olhos de mel realçados pelas pestanas ruivas que os emolduravam olhavam-nos com uma calma e doçura inexprimíveis. Não chegámos a ir à baía, mas estes olhos levaram-nos numa viagem assustadoramente maior até chegarmos ao Himalaias que começara finalmente a aquecer…

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